sábado, 16 de outubro de 2021

Tarô como ferramenta de autoconhecimento

Conhecido por muitos como uma arte divinatória o Tarô vem ganhando espaço e notoriedade, isso porque muitas pessoas tem demasiada curiosidade pelo futuro e por seus mistérios.
Mas essa é a única aplicação para esse jogo de cartas misterioso? A resposta é NÃO.
Já faz um tempo que o tarô vem sendo utilizado como ferramenta de autoconhecimento, é claro que está proposta não tem necessariamente o objetivo de prever o futuro, mas sim de perceber questões as quais nós precisamos refletir, ou até mesmo trazer questões localizadas no subconsciente para que possam ser trabalhadas no consciente.

O tarô traz uma representação arquetípica interessante que é justamente o que possibilita esse processo de autoconhecimento.
 
Mas o que é arquétipo?

Arquétipo é um conceito da psicologia muito difundido por Carl G. Jung utilizado para representar padrões de comportamento associados a um personagem ou papel social.
Vamos exemplificar:

                                                            Carta do louco - Tarô Rider Waite

Esta é a carta do Louco representada pelo deck Rider Waite, e nós vamos realizar sua interpretação de maneira a promover uma reflexão em busca do autoconhecimento.
Nesta carta nós vemos um homem que anda despreocupado na beira de um precipício, carrega consigo uma rosa branca e uma pequena trouxinha, ao seu lado existe um cachorro que demonstra certa agitação.
No contexto luz podemos compreender o louco como uma pessoa leve que entendeu que não precisa de grandes bagagens emocionais se quiser viver livremente sua essência, ele não se preocupa com os desafios apenas segue pleno e conectado ao seu EU, sem se deixar levar pelo seu ego que pode ser representado pelo cachorro.
No contexto sombra o Louco pode representar uma pessoa inconsequente que toma atitudes precipitadas, que não pondera seus atos e vive a vida sem se preocupar com os riscos, o cachorro pode estar tentando avisa-lo de que ele vai cair.

Percebe que estamos traçando perfis de comportamento através desta representação?
É exatamente assim que o tarô terapêutico funciona, ele não se prende ao passado, muito menos ao futuro, ele busca mostrar o agora.
Nesse tipo de contexto saber em qual dos arquétipos nós estamos inseridos pode nos ajudar a tomar decisões, refletir sobre comportamentos nocivos ou até mesmo passivos, buscando alterar essa realidade positivamente para que haja expansão e crescimento pessoal.

Eu particularmente tenho alguns decks para uso pessoal e sempre que estou com dificuldades em avançar me conecto com as cartas e reflito sobre mim mesma.

Existem diversos modelos de decks e cada um traz representações arquetípicas que podem ser facilmente aplicadas ao nosso cotidiano.

E você, conhecia essa aplicação do tarô? 









 

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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

O que minha família diria se soubesse que eu...?

Não, eu não posso fazer isso  o que minha família diria? Muito ou nada mas igualmente irrelevante, se a família apoiar ou criticar, você continuará sozinho. Mas como eu prefiro  ao invés de enfrentar  a solidão da minha decisão, eu prefiro dizer que  é uma opção por causa da minha família, dos meus filhos, dos meus vizinhos ou da minha fé. Eu prefiro sentir-me vigiado do que me sentir sozinho, eu prefiro me sentir protegido pela crítica do que largado pela indiferença. - Leandro Karnal


 


Estava eu refletindo um tempo atrás sobre como nossas mudanças podem ou não impactar no nosso grupo familiar.

E avançando neste raciocínio me deparei com alguns pontos que gostaria de compartilhar com vocês.

Quando uma criança nasce ela nasce vazia dos outros e cheia da sua própria essência, o que deveria acontecer dai em diante seria estímulos para que sua pura essência se manifestasse a medida em que ela cresce, mas não é isso que acontece.

De alguma forma a convivência no seio familiar passa a construir o nosso ego e o que nos tornamos então? Nos tornamos a cópia dos nosso pais, professores e líderes religiosos.

Em casos mais extremos não apenas nos tornamos essa cópia como somos incentivados a jamais nos  desviar dela, porém  a essência grita em algum momento da vida e então chega a hora de mudar.

Esse sem dúvida é um grande desafio, pois  nossa família já construiu um pensamento sobre nós e nós já nos condicionamos bastante a essa visão para que nos sentíssemos aceitos e queridos por eles.

Isso acontece inclusive inconscientemente quando assumimos padrões de comportamento em busca da fidelidade aos nossos pais.

 Nesses casos como é doloroso assumir mudanças...

A fala que trouxe para reflexão no inicio do post é uma provocação para que entendamos que nossa vida não está e não deve estar condicionada aos nossos familiares, trabalhar a aceitação do nosso eu é tarefa nossa e não deles.

Por mais doloroso que seja quando nós aceitamos nossas mudanças de conceitos e paradigmas abre-se uma porta para que os outros também possam aceitá-las, mesmo que a aceitação por parte deles seja irrelevante como bem colocado pelo Karnal.

O que minha família diria se soubesse que eu deixei a faculdade para trabalhar com artesanato?

O que minha família diria se soubesse que eu detesto as comidas que a tia Zefinha faz nas festas de final de ano?

O que minha família diria se eu decidisse trocar de religião?

Me tornar bruxa e não freira...

Isso realmente importa?

Nossa família é a maior ferramenta de aprendizados que poderíamos ter, nela estão grande parte dos desafios de nos tornarmos pessoas mais conscientes de nós mesmos.

Desde o início o cordão umbilical é cortado e isso tem um porque...

No final também não seremos acompanhados quando tudo se esvair.

Estamos sozinhos e a medida que nos alinhamos com nossa essência nossa presença nos basta, isso não quer dizer que a gente deve desprezar a nossa ancestralidade, nossos pais e familiares, mas sim que eles não devem ser os carcereiros da nossa evolução, as pedras de tropeço irremovíveis.

A percepção que o outro tem sobre você é a visão dele e não reflete quem você realmente é, e quanto antes essa percepção vier a tona mais fácil será aceitar seu próprio caminho de evolução.

Reflita a respeito...    

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Round 6 é uma série infantil?

Eu adoro filmes e séries, busco sempre estar por dentro das novidades, e dessa vez o surgimento de uma série coreana veio movimentando as redes sociais, causando polemicas e chamando a atenção de muita gente, foi então que  Round 6 se tornou a nova queridinha do momento.
A pergunta que não quer calar é, Round 6 é uma série infantil por apresentar brincadeiras como batatinha frita 1,2,3?


A resposta parece óbvia não é mesmo, Round 6 é uma série com classificação 16 e definitivamente não é uma série para crianças, mesmo tendo como base jogos infantis.
Essa resposta deveria bastar, mas me deparei com uma galera se posicionando contra a Netflix por causa da série com a seguinte reclamação: CRIANÇAS ESTÃO VENDO A SÉRIE.

É  justamente sobre isso que eu quero falar neste post.

Nós temos vivido uma triste época onde toda a educação infantil está sendo delegada a terceiros, o que inclui a própria plataforma conhecida como Netflix.
E quando me deparo com uma problematização desse nível fico profundamente triste, afinal sou mãe, professora e  terapeuta o que me leva a ver as muitas faces dessa situação.
Obviamente este post não tem o intuito de atacar pessoas, muito menos ignorar as dificuldades encontradas em âmbito social, mas sim fazer um alerta e chamar para realidade pais e cuidadores que devem sim ser a base da construção da pequena criança que está sob seus cuidados.

Round 6 não é uma série para crianças, assim como muito conteúdo presente nas redes sociais, no Youtube, no Tik tok e no Kwai também não são, culpar essas plataformas por um cuidado que cabe a nós tomar é buscar uma isenção de responsabilidade que não cabe a um cuidador.

Existem diversos temas que estão sendo inseridos no contexto infantil os quais a criança não tem maturidade para assimilar e tudo isso é responsabilidade nossa, essa falta de responsabilidade tem enchido consultórios com os mais diversos traumas e transtornos.

É muito preocupante ver que as crianças hoje estão tão envoltas nesse monte de lixo emocional, sendo inseridas em sua sexualidade tão precocemente, tendo acesso a jogos tão violentos em um momento onde mau definiram o que é real do que é fantasia.

A questão aqui não é a série em si, inclusive achei essa produção muito coerente e deve sim ser assistida e analisada com profundidade, a questão é o quanto estamos envolvidos na vida de nossos filhos a ponto de saber ou não o tipo de conteúdo que ele tem consumido.
Tudo deve ser investigado até mesmo aquilo que é considerado classificação livre, tudo precisa passar pelo filtro do bom senso.

Criar uma criança é fácil, basta satisfazer-lhe as vontades. Educar é trabalhoso.
Içami Tiba

Com base nessa fala do Dr. Içami Tiba quero te trazer a reflexão, tenho me responsabilizado pela educação do meu filho, ou acho que a culpa é da Netflix?
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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Mulheres que correm com os lobos - Indicação de livro

Olá seja muito bem-vindo(a)!

Hoje quero compartilhar com vocês um livro muito especial, confesso que ainda não conclui a leitura e acredite não tenho pressa em faze-lo, Mulheres que correm com os lobos é uma obra profunda, intensa e mágica.



Título original: Women who run with the wolves 
Autora: Clarissa Pinkola Estés
Editora: Rocco; 1ª edição (17 setembro 2018)
Categoria: Teoria psicanalítica 
Ano de lançamento: 1992
Páginas: 576
Sobre: Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de inspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.* Trecho retirado do prefácio do livro.

O livro 

Mulheres que correm com os lobos | Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem é um livro de capa dura, bastante robusto com nada menos que 576 páginas.
Sua confecção é digna de um excelente livro, cada página traz uma riqueza imensa de ideias, sem sombra de dúvida este é um livro para ser passado de geração em geração.

Mas o que faz desse livro um livro tão especial?

Você já se sentiu desconectada do seu feminino? 
Quando digo feminino não me refiro a gênero e sim a polaridade, a energia, não é a toa que homens e mulheres independente de sua sexualidade todos experimentamos as duas polaridades energéticas masculino e feminino.
Dito isso posso retomar o raciocínio inicial... Você já se sentiu desconectada do seu feminino? 
Talvez você nunca tenha pensado sobre isso e tudo bem eu também me privei desta reflexão por muito tempo até perceber que a minha fonte criativa e intuitiva havia secado.
Pela primeira vez então me vi vibrando completamente no masculino e na racionalidade que é uma característica inerente a essa polaridade. 
A essa altura do campeonato minha mulher selvagem dava seus últimos suspiros dentro de mim.


Atendendo este chamado de alma comecei a procurar conteúdos que me aproximassem do sagrado feminino e foi então que me deparei com este livro maravilhoso que me remexeu por dentro e trouxe vida ao poder feminino em mim.
Clarissa Pinkola é uma mulher que dedicou grande parte dos seus estudos a psique humana, se tornando analista dos padrões psicológicos e sociais de grupos e culturas tribais, mas não é só isso.
A autora é  psicanalista junguiana além de possuir diversas formações nesta área, a combinação de  sua  sensibilidade e intuição fazem de seu livro uma bíblia feminina.
Mulheres que correm com os lobos é uma leitura que age diretamente no inconsciente de quem o lê, para isso inteligentemente Clarissa trabalha com contos que foram transmitidos geração a geração e utiliza todo esse conhecimento para clarear a figura arquetípica da mulher selvagem, a mulher que existe em cada uma de nós.
O intuito dessa escrita é justamente libertar essa essência feminina e nos conectar com nossa intuição, para isso a autora nos leva a momentos de introspecção e análise profunda, será se estamos prontos para deixar morrer o que precisa morrer? Estamos prontos para separar isso daquilo?
Apesar de nos levar as profundezas de nosso subconsciente sua leitura  é facilmente compreendida, porém deve ser apreciada com a profundidade que ela exige, este livro definitivamente não deve ser lido as pressas, poderia defini-lo como aquele livro que você lê, senta, chora,  assimila e depois continua.
Como gostaria de ter lido este livro  anos atrás.

Se recomendo ? Mas é claro que sim.
Acho imprescindível que toda mulher leia, principalmente em sua fase donzela, é claro que isso não impede que esse livro seja apreciado por quem queira, é uma leitura espetacular, transformadora, profunda e inigualável. 
Este se tornou de longe meu livro preferido, amor todinho da minha vida.

Prepare aquela xícara de chá e boa leitura.

PS: Post escrito ao som de Triste, Louca ou má (Francisco, el Hombre), como esta música e este livro  combinam, pela Deusa viu. 

Até o próximo post. 

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